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 14.02.18 - 14h39

Febre amarela: o macaco não é problema, mas o mosquito

Em coletiva de imprensa, Secretaria Municipal da Saúde, reforçou o alerta para combate do mosquito transmissor da dengue, que também transmite a febre amarela
 
O macaco que foi encontrado morto na tarde de  domingo na região do Lago Municipal de Cascavel motivou um alerta sobre os cuidados relacionados de prevenção à febre amarela. Por conta disso, o secretário de Saúde de Cascavel, Rubens Griep, reuniu a equipe diretamente envolvida nestas ações preventivas para tirar todas as dúvidas da imprensa e repassar o maior número de informações e esclarecer a população.
Griep classificou a morte do primata como um "evento sentinela". Após a informação do óbito do macaco prego, a equipe de veterinários da Vigilância em Saúde Ambiental seguindo o protocolo para morte de animais silvestres que fez a coleta do corpo e fez a necropsia para um exame macroscópico e a coleta de tecido para envio ao Lacen (Laboratório Central do Estado do Paraná). "Esse protocolo está totalmente definido a nível de estado e o Lacen faz a confirmação das amostra", explicou o secretário.
Rubens Griep informou ainda que já na segunda-feira (12), as equipes de agentes de Controle de Endemias realizaram a varredura em toda a região do entorno do lago e da área de preservação buscando identificar alterações e, principalmente, a ocorrência de novos possíveis óbitos de macacos. "A partir de hoje, desencadeamos ações em conjunto com a Atenção Primária em Saúde. Essas ações também passam pelo perímetro definido pelo protocolo ao redor da ocorrência da episodia (morte do macaco) que é um raio de 400 metros que é o espaço de deslocamento do mosquito transmissor", detalhou.
Griep reforçou a informação que estas não ações isoladas da Secretaria Municipal de Saúde, mas seguem um protocolo definido pelo Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde.
O alerta continua sendo para que a população continue eliminado locais com água parada que favorecem o surgimento de focos de proliferação do mosquito transmissor, o Aedes aegypti.
 
Sem notificações
Questionado sobre os casos 3 (três) casos suspeitos de febre amarela no Paraná que a Secretaria de Estado da Saúde mantém sem confirmação quanto a localização destas notificações, o secretário de Saúde de Cascavel afirmou que em Cascavel não há notificação de casos suspeitos. "Não temos notificação de casos em Cascavel e até onde se teve a informação a ocorrência destas notificações são de casos importados que normalmente vêm de outras regiões para aquele município onde foi feito o diagnóstico e feita a notificação", disse. Segundo ele, o monitoramente também é feito no município de origem onde estas pessoas circularam. "É preciso lembrar e considerar também que temos uma população que viaja neste período. E isso exige um monitoramente ainda maior", completou.
 
O macaco
De acordo com o médico veterinário Luís Eduardo da Silveira Delgado, o macaco foi identificado como uma fêmea, adulta (cerca de 6 a 7 anos), lactente (com filhotes), "mas sem nenhuma lesão macroscópica  que fosse indicativo da causa da morte“. Paula Lis, outra médica veterinária que participou da coletiva, explicou que durante a necropsia "não foram encontrados sinais de icterícia que é um dos achados que se encontram em macacos vítimas da febre amarela, que é o amarelamento das mucosas e órgãos internos".
Griep lembrou, mais uma vez, que o macaco 'é vítima' e a manifestação da doença nele serve como alerta quanto a circulação do vírus da febre amarela, situação que só pode ser confirmada com o exame laboratorial que está sendo realizada pelo Lacen, cuja expectativa é de que o resultado seja divulgado até o final desta semana.
 
Sem isolamento
De acordo com o secretário, apesar do alerta, não há informações suficientes para promover a interdição do Lago Municipal.  "Inicialmente, trata-se de um caso isolado e não temos registros de febre amarela urbana. Enfatizamos que as pessoas evitem de transitarem no lago com animais domésticos, até porque também podemos ter a ocorrência de febre maculosa e outras doenças", destacou o secretário, lembrando que em 2005 ocorreu um caso muito semelhante quando o Lago Municipal foi interditado, "mas, hoje, não temos o indicativo nem o regramento para uma interdição".
 
Vacina
Durante a coletiva, o secretário de Saúde, lembrou que a questão vacinal da febre amarela teve alteração no seu protocolo e, hoje, é aplicada em dose única na criança logo aos 9 meses de vida. "Anteriormente se fazia a vacinação de reforço a cada 10 anos. Isso já foi alterado pelo Ministério da Saúde  Nossa população está bem imunizada, com cerca de 90 a 95% de cobertura", ressaltou Griep, orientando que a população "busque o seu arquivo, as suas carteiras de vacina porque muitas vezes as pessoas não lembram que já tomaram a vacina".
O secretário explicou que já foi registrado aumento na procura por orientações sobre a vacina contra a febre amarela e, por enquanto, "foi um número pequeno que não tinha como comprovar se tinha tomado a dose e outras pessoas que não tinham recebido nenhuma imunização.
As vacinas são distribuídas pela Secretaria de Estado da Saúde que são administradas através do Programa Municipal de Imunização que estoca o volume consumido mensalmente em Cascavel "e todas estas situações são monitoradas online o tempo todo quanto as solicitações e o abastecimento; não teremos problemas com a quantidade de vacinas porque a nossa população já foi maciçamente imunizada".
 
Combate ao mosquito
A equipe da Secretaria de Saúde reforçou o alerta a população para que mantenha seu quintal limpo e os procedimentos já conhecidos para evitar o acumulo de água e o aumento dos focos de proliferação do Aedes. Normalmente, os agentes de endemias vistoriam as residências a cada 60 dias, mas, durante esse intervalo, cada morador deve cuidar da limpeza da área da sua residência.
Beatriz Tambosi, diretora da Vigilância em Saúde, explicou que quando os agentes fazem o trabalho de inspeção e encontram residências fechadas, é deixado comunicado para que o morador faça contato com a Vigilância e agende a visita. "Mas, também trabalhamos em horários diferenciados, com equipes após as 17h e 18hs durante o horário de verão; fazemos mutirões de inspeções aos sábados para encontrar as pessoas em casa", destacou.
A diretora explicou ainda que podem ocorrer situações em que o morador é intimidado e outros em que se usa até o apoio da força policial, especialmente em imóveis que estejam em situação de abando, mas destacou: "A população tem que ser nossa alada nesse processo de combate ao vetor".

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